Este blog, sob responsabilidade de Alexandre de Melo Andrade, objetiva o contato com obras e teorias literárias, publicadas e inéditas, permitindo o diálogo entre os estudiosos desta arte e o acesso a estudos diversos abarcados por este universo.
(Mikel Dufrenne)
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Noite fria
Noite escura
Escura como a alma
Alma que ama
Que ama intensamente
Ser insatisfeito
Ser imperfeito
Ser repleto de desejos
Lágrimas em vão
Horas perdidas
Só resta solidão
É a vida!
MINHA TERRA
Minha terra tem:
Crianças inocentes
Jovens inteligentes
Adultos surpreendentes
Idosos experientes
Tem frevo e maracatu
Feijoada e vatapá
Carnaval e festa junina
Dias ensolarados e noites de luar
Tem tragédias e chacinas
Desigualdade e injustiça
Crimes e abusos
Maldade e preguiça
É uma “bagunça” de cores
De amores
De humores
De horrores
Minha terra é uma mistura
Cheia de cultura
Uma loucura
Uma loucura!
Noites escuras e iluminadas de ternura
Tanta felicidade, agora tristeza
Me traz você em pensamentos de momentos
Cada vez mais distantes.
Morro por você, vivo de saudade
Ao lembrar de um passado ainda presente...
Ah! Se eu pudesse reviver nossos momentos,
Lacrados no fundo da mente como se fossem morte.
Oh! Covardia, que me dá coragem de procurá-lo
E dizer o quanto você ainda é importante.
Que ainda amargo saudade das doces lembranças.
Chamá-lo de amor, chamá-lo esperança.
Que mesmo de longe, o sinto perto de mim.
Pois doce é a vida, amarga é a distância.
SEDUÇÃO
Noites estreladas
Insônia, fascinação
Mulata faceira
Pura sedução
Calor ardente
Perturbação!
Desejo, volúpia, atração
Sentimento galopante
Num vai e vem estonteante
De um sonho de verão.
sexta-feira, 20 de março de 2009
dourados aspargos que cinderela cosia na manhã seguinte. Doirados reflexos esticavam-se dos seus olhos tenros ao ver a almiquia vegetal. Esticou o vestido partidário a um mendigo de amor. A agulha torcia as voltas emblemáticas da linha senil cor de areia. A agulha percorria a parte externa do artesanato, fio a fio, xis a xis perpendiculares esteiras de linha rente. A agulha inebria exausta fixava-se, respirava, deglute e vomitava. A agulha tal qual brinquedo de locomoção natalino quiçá findasse seu curso. Cansada cinderala abre a torneira da pia lamaçal. Mãos conchas retém o líquido que purifica, escravo de vida e morte, impulsiona o jogatino veneno nas tez oleosa do seu rosto. Ascende suas pálpebras, um espelho a temia. A imagem voltavam o vestido partidário, agora declinado da missão de cobrir o mendigo. Pedregulhos e estiragens cambaleam os dedos inóspitos da sereia. Curvas de caminhão de carga sobrecarregada. Outra imagem - jovial segredo adolescente desquitou-se sem auxílio de advogados.
BELEZA INTRUSA
Azul êxul,
Húmil,
Noivado
No rincão
Do branco
Núbil.
Pincelada
De um céu
Por terminar.
Ou ainda,
Céu suave
Coberto de nuvens.
Esgar
De intrusa beleza
Que quer viver
Em excesso de luz.
Arte ciência,
olhar experiência,
face ameixa,
na boca o acre-doce
revelando o matutino, o vespertino,
o noturno.
(Noturno — às vezes — tão soturno)
Três dimensões que trazem à baila
todo um palmilhar norteado de venturas,
desventuras,
que o viver não tem como frear...
Maria do Carmo Belizário.
Cumplicidade
Alheios ao mundo — sinto seu cotovelo junto
ao meu.
Ali — tranqüilos a limpar os peixes
entre as memórias do primeiro encontro... Olhar...
Cheirando a peixe toco seus cabelos
e você... Afável... Galhofeiro a falar de suas aventuras,
pescarias
como um grande menino esquecido do mundo.
No silêncio aconchegante da cozinha dividindo o espaço:
Eu e Você.
Você e eu entre a fala, às vezes, o silêncio
analisando nossas histórias enquanto se limpa
os peixes...
Longas histórias... Alegrias... Desventuras...
Passado que se fez amadurecer e hoje
sorrimos descontraídos no pequeno espaço,
em que nos acotovelamos a limpar os peixes.
De repente — estes são postos de lado — as
mãos se entrelaçam — as facas ficam sobre a pia
e os peixes se perdem em meio as escamas... Maria do Carmo Belizário.
Como arrumar as gavetas?
Separar as espécies:
à direita o tempo da paz,
alegria,
amor...
À esquerda:
a saudade,
a tristeza,
a dor...
Maria do Carmo Belizário.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Espírito sombrio, outrora afeito à luta,
A esperança, que um dia te instigou o ardor,
Não te cavalga mais! Deita-te sem pudor,
Cavalo que tropeça e cujo pé reluta.
Conforma-te, minha alma, ao sono que te enluta.
Espírito alquebrado! ao velho salteador
Já não seduz o amor, nem tampouco a disputa;
Não mais o som da flauta ou do clarim se escuta!
Prazer, da trégua a um coração desfeito em dor!
Perdeu a doce primavera o seu odor!
O tempo dia a dia os ossos me desfruta,
Como a neve que um corpo enrija de torpor;
Contemplo do alto a terra esférica e sem cor,
E nem procuro mais o abrigo de uma gruta.
Vais levar-me, avalanche, em tua queda abrupta?
Porém, o poema segue um ritmo embalado pela predominância das rimas pobres, seguidas de intercalações emparelhadas e interpoladas.
A princípio, o eu lírico faz a apresentação de um “ser” monstruoso desconhecido. Para tanto, há uma constatação metafórica que sonda a figura misteriosa: a perca da esperança comparada a um cavalo, uma impressão que veio devagar, a “galope”. No entanto, é viável ressaltar que este animal fundido a esta esperança é doente, medroso, que hesita, mostrando uma fraqueza esperançosa. Além do sentimento, outro fator humaniza o cavalo, ele ao invés de cavalgar com as patas, foge ao comum e assume um “pé”, o que aproxima o animal à figura humana:
Não te cavalga mais! Deita-te sem pudor,
Cavalo que tropeça e cujo pé reluta.
A Esperança, personificada, remete à imagem de uma musa que instigava a chama criadora do poeta e que não o move mais. Ela deixa de cavalgar a alma do poeta e o cavalo – signo que remete à virilidade e à impulsividade, agora lida com a perda, não apenas da esperança, mas também de sua essência.
O “amor que não seduz o velho salteador” evidencia o desinteresse do eu, numa imagem que nos remete a um D. Juan que perdeu a sua razão de ser.
A perda da razão de ser acentua-se a partir do verso:
Não mais o som da flauta ou do clarim se escuta!
A música, que para os simbolistas tinha uma comunhão artística com a poesia, cala-se, silenciando o sentido da vida.
Entretanto, o eu lírico desfruta de um coração partido, desta falta de esperança, da morte da alma, do pessimismo constante e da anulação da vida. Ele tenta se conformar com a sina que o cerca, mas com o passar do tempo, torna-se difícil permanecer em uma existência sem perspectiva, tanto que a sua matéria para perante a tanta dor e mal estar:
Espírito alquebrado! ao velho salteador
Já não seduz o amor, nem tampouco a disputa;
Não mais o som da flauta ou do clarim se escuta!
Prazer, da trégua a um coração desfeito em dor!
É o desassossego, a angústia pertinente, que ao mesmo tempo leva-o à exaltação, transporta sua existência ao puro vazio. O gosto pelo nada, característica enfatizada no momento Romântico, veio a Baudelaire como um anseio ao novo. A saída é propor um fim para iniciar a vida. Apresentar o Spleen, o tédio fatal da vida para construir novidades, para retomar e adquirir esperança de viver, encenar a vida cotidiana e moderna como exemplo de (não) existir. Tanto que o eu lírico se transporta ao posto de telespectador de si mesmo, que não se esconde no plano que não o agrada, conforme consta no seguinte verso:
Contemplo do alto a terra esférica e sem cor,
E nem procuro mais o abrigo de uma gruta.
Essa separação do universo em mundo contemplado e eu - observador é herança daquela ironia romântica, que prenunciava, pela divisão e pela cisão do ser, o niilismo moderno. Rompe-se o sentido de unidade entre o eu e a natureza, para impor-se uma visão de mundo fragmentada pela consciência. A própria separação que o eu lírico descreve entre o passado prazeroso e o presente amargo nos leva a entender que o poeta cria uma ruptura temporal que assinala a morte e a “nidificação” do ser.
Mas este é um processo lento, tanto que há alguns versos isolados, relatando a partir de suas formas, a passividade de expectativas:
Perdeu a doce primavera o seu odor!
O tempo dia a dia os ossos me desfruta,
Como a neve que um corpo enrija de torpor;
Em determinado instante, dá-se a impressão que o eu lírico é seduzido por uma realidade negativa, que caminha em função do nada, o que não é o caso. Ele está enojado por uma existência rotineira e medíocre, que através de uma exatidão melancólica, busca um espaço liberto:
Vais levar-me, avalanche, em tua queda abrupta?
Além disso, o eu lírico questiona a morte, carregando ansiosamente, com ironia, o desejo de ser consumido por ela.
O que é o amor?*
O amor é sonho?
O amor é dor?
É apenas sentimento?
É grande? É pequeno?
Branco? Negro?
Acaso é liso?
Ou áspero?
Não sei por certo,
Só sei que quando vem
Realiza mudanças
Faz de um adulto uma criança.
Não escolhe idade, classe ou cor.
Quando vem quer quebrar as barreiras
Não enxerga as aparências,
Mas penetra o profundo, o íntimo, o âmago.
É como um anestésico,
Deixa a pessoa boba,
Suspirando, sorridente
Babando cor- de- rosa.
Amolece os corações de pedra,
Tornando-os tão macios
Como a fina seda.
No entanto,
Para que saber o que é o amor?
Se eu posso senti-lo e vivê-lo!
Experimentar do seu mel
Sentir o pedaço do céu.
Enquanto alguns se preocupam com definições
Vou vivendo e aprendendo,
Porque o amor é subjetivo
E cabe a cada pessoa interpretá-lo
Do modo como quiser.
(Carlos Eduardo de Brito Aragão)
*Poema premiado com o 3º lugar no XII Concurso de Poesia Moderna do Sindicato dos Comerciários
Chora Amazônia*
Chora Amazônia!
Derrama o teu pranto sentido
Lamenta tuas árvores caídas.
Teu verde, tua sombra, tua natureza.
Oh, Amazônia!
Solta a tua lágrima de dor
Grita pelos teus animais,
Que morrem a cada dia:
Aprisionados, feridos, torturados, contrabandeados.
Sim, Amazônia
É grande a tua dor!
O homem, que deveria ser “humano”,
Torna-se o mais cruel dos animais.
Ferindo o teu chão
Roubando a tua paz.
Reza Amazônia!
Ora ao Criador
Pela consciência do homem,
Para que volte a si
E pense em seus filhos
Que poderão ter um futuro incerto.
Fala ap pé do ouvido de cada criança
Para que não repitam os erros dos pais,
Aumentando a chama da esperança.
Enquanto o progresso avança,
Tua vida, Amazônia, vai se acabando.
E o homem, cego pela ambição,
Destrói a si próprio.
Ainda há tempo, Amazônia,
De mudar esse quadro.
Mas tem que ser agora,
Porque quando a última árvore cair
E a última gota de sangue
Manchar o teu solo,
Aí será tarde demais.
(Carlos Eduardo de Brito Aragão)
*Poema premiado com o 2º lugar no XI Concurso de Poesia Moderna do Sindicato dos Comerciários
Quem sou eu?
Sou menino brincando com o tempo
Como a folha que brinca com o vento
E voa nos campos da vida.
Nessa terra de sonhos perdidos
De piratas, fadas e lendas,
Ergo meu castelo encantado
Pra salvar a Rapunzel.
Sou herói que voa no céu
Pra defender a cidade do mal.
Super-Homem
Com visão de raio-X
Sou peralta, sou feliz.
Gosto de correr
Brincar de esconde-esconde,
Dançar canções alegres
Comer doces e balas.
Vou à escola
Aprender o bê-á-bá.
Preciso estudar e brincar
Sou pequeno demais para trabalhar.
Sou a semente
Que germinará no futuro.
Quem não for como eu
Não entrará no Reino de Deus.
Já sabe quem sou eu?
Sou criança, sou a esperança,
Sou o futuro feliz.
Sou anjo na terra
Sou o futuro do país.
(Carlos Eduardo de Brito Aragão)
Mensagem ao professor
Mestre, educador.
Pai das letras, professor.
São nomes diferentes
Desse grande construtor.
Suas palavras são ferramentas
Que transformam cada aluno
Em sementes de saber.
Para que no futuro
Frutifiquem doutores.
Como é belo observar
Toda dedicação!
Todo amor depositado
No movimento do giz.
Palavras que surgem na lousa,
Olhos que brilham
Vendo o aluno que aprendeu.
Querido professor,
Se hoje posso escrever
Devo a Deus e a ti.
Lembro-me do a-e-i-o-u,
Das letras que se juntaram
Formando palavras.
Das palavras surgiram versos
Dos versos surgiram poemas.
E agora, do meu coração,
Surge uma palavra simples
Cheia de gratidão:
“OBRIGADO!”
(Carlos Eduardo de Brito Aragão)
domingo, 26 de outubro de 2008
A (DES)CONSTRUÇÃO DA FIGURA FEMININA EM CONTOS DE MARINA COLASANTI (resumo de trabalho de conclusão de curso)
Raphaela Magalhães Portela HENRIQUES (FABAN) raphaela-henriques@ig.com.br
Eliete TREVILATO (FABAN) liagabi@ig.com.br
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo ANDRADE
Entre as vozes que circundam a literatura contemporânea, encontra-se a de Marina Colasanti. A escritora, que oscila entre contos de fadas, contos rápidos e poesias, tece sua escritura de forma singular no panorama da literatura atual, e vem se destacando por entremear textos que refletem sobre questões que envolvem a relação entre marido e mulher, pai e filho, realidade e sonho, limitação e utopia. O trabalho em questão visa a uma reflexão sobre dois contos – “A Moça Tecelã” e “Para que ninguém a quisesse” – de forma que possamos entender a construção da problemática pressuposta pelo conflito autoritarismo x submissão, que ao mesmo tempo destrói e constrói a figura feminina, em textos cujos efeitos são construídos a partir da própria trama da linguagem.
Palavras-chave: Marina Colasanti; figura feminina; contos.
O OLHAR PELA FRESTA NA POESIA DE ANA CRISTINA CÉSAR (resumo de trabalho de conclusão de curso)
Aline Isis Silva RUDER (FABAN) aline_ruder@yahoo.com.br
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade alexandremelo06@uol.com.br
Esta pesquisa se propõe a delinear um percurso pela poesia fragmentada de Ana Cristina César, buscando inseri-la num contexto maior do que a dita Poesia Marginal da década de 70. Propõe-se um rompimento com a idéia de autobiografismo que há muito vem sido citado por alguns estudiosos da poesia de Ana Cristina. É fato que a morte faz-se presente em alguns de seus versos, mas procuramos explorar o poder de sua palavra que está muito mais envolvida no fazer poesia (do que no que teria sido se sua vida não tivesse sido interrompida). A poética de Ana C. é a da desconstrução, da ruptura, do fazer-se novo, através de uma escrita psicológica que é articulada pela voz de um eu lírico que se mantém em comunicação com o leitor, como uma conversa prosaica. Ao mesmo tempo em que traz essa característica moderna, percebemos que a poesia de Ana C. é também de convergência, navegando do lado oposto da ruptura. Ao manter o diálogo com o leitor, sentimos que a poesia opera num grande círculo que sempre coloca alguém no divã. Ora são os leitores, ora o eu lírico. E essa interação é permanente. Como disse Octavio Paz, “o presente é o fruto no qual a vida e a morte se fundem”. A pesquisa se divide em duas partes: a primeira, delineia um percurso pelo Modernismo x Modernidade, traça um perfil sobre a Poesia Marginal e apresenta características da escritora em estudo, Ana Cristina César; a segunda visa apresentar estudos de textos de Ana C. com o foco exigido na contemporaneidade e com a intenção de mostrar quão intensa e importante sua obra pode ser para as nossas letras.
Palavras-chave: Poesia; Ana Cristina César; Literatura Contemporânea.
sábado, 12 de julho de 2008
UM ANDARILHO NA CONTRAMÃO: CONSTATAÇÃO DA REALIDADE E IRONIA EM ÁLVARES DE AZEVEDO
Alexandre de Melo Andrade
RESUMO
Álvares de Azevedo teve importância extrema no Romantismo brasileiro, pois melhor que produzir poemas ultra-românticos, em que prevalece a temática do amor e do sonho, revestiu sua obra de um prosaísmo que acentua a perda da ingenuidade e a constatação de um mundo em desordem, que privilegia os aspectos materiais da existência.
O trabalho visa à abordagem dessa lira humorística, por meio da análise do poema Vagabundo, da segunda parte da “Lira dos Vinte Anos”, buscando os elementos que melhor nos sirvam para mostrar o descontentamento do sujeito-lírico mediante a realidade desprezível em que os homens estão inseridos.
PALAVRAS-CHAVE: humor, prosaísmo, realismo, desordem.
I- INTRODUÇÃO
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, poeta romântico que melhor representeou o byronismo no Brasil, ofereceu-nos uma visão da poesia que transcende e rebaixa a condição humana ao dividir sua Lira dos Vinte Anos em três partes.
A primeira parte abriga poemas que elevam o sujeito-lírico a uma atmosfera carregada de sentimentalismo, de perfumes e cores, onde as formas são fluídicas e vaporosas, o que corresponde ao devaneio lírico e à imaginação criadora. A essa lira sentimental chamamos de “plano vertical”, levando em conta que nesse aspecto de sua poesia, Álvares de Azevedo busca transcender os elementos da natureza, elevando-os à condição espiritual e buscando a satisfação d’alma no infinito do universo. A terceira parte é tida como uma continuação desta abordagem.
Por outro lado, a segunda parte da obra busca elementos prosaicos que projetam a condição do desajuste do sujeito-lírico no mundo real, concreto e degradante. Aqui, as marcas da civilização causam repulsa e o poeta zomba de um mundo que privilegia o dinheiro, o falso moralismo e o materialismo; e para isso, faz uso de uma ironia amarga e de um sarcasmo impiedoso. A essa lira humorística, chamamos de “plano horizontal”, entendendo que nesse aspecto da poesia azevediana o sujeito-lírico anda pelas ruas e constata as mazelas físicas e morais de uma sociedade deprimente e corrupta.
Lembremos que essa dualidade de abordagem temática foi referida pelo próprio poeta da seguinte forma:
É que a unidade deste livro funda-se numa binomia. Duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de poeta escreveram esse livro, verdadeira medalha de duas faces. (AZEVEDO, 2000, p. 190)
Essa “binomia” a que o próprio autor se refere era um dos pressupostos da escola romântica, que valorizou o contraste entre o sublime e o grotesco, conforme teoria estabelecida por Victor Hugo. Segundo o crítico, “... o sublime sobre o sublime, dificilmente produz um contraste, e tem-se necessidade de descansar, até do belo” (HUGO, 1988, p. 31). A lira humorística surge, então, como distensionamento da consciência lírica, desabafo de um “eu” ressentido com o contexto social vigente.
II- O MUNDO SEM O VÉU DA TRANSCENDÊNCIA
Faremos análise de uma poesia da segunda parte da Lira dos Vinte Anos, numa tentativa de desvendar as marcas de recusa à realidade tangível, projetadas no texto por meio da troça, do sarcasmo e da ironia.
VAGABUNDO
Eu durmo e vivo ao sol como um cigano,
Fumando meu cigarro vaporoso;
Nas noites de verão namoro estrelas;
Sou pobre, sou mendigo, e sou ditoso!
Ando roto, sem bolsos nem dinheiro;
Mas tenho na viola uma riqueza:
Canto à lua de noite serenatas,
E quem vive de amor não tem pobreza.
Não invejo ninguém, nem ouço a raiva
Nas cavernas do peito, sufocante,
Quando à noite na treva em mim se entornam
Os reflexos do baile fascinante.
Namoro e sou feliz nos meus amores;
Sou garboso e rapaz... uma criada
Abrasada de amor por um soneto
Já um beijo me deu subindo a escada...
Oito dias lá vão que ando cismado
Na donzela que ali defronte mora.
Ela ao ver-me sorri tão docemente!
Desconfio que a moça me namora!...
Tenho por palácio as longas ruas;
Passeio a gosto e durmo sem temores;
Quando bebo, sou rei como um poeta,
E o vinho faz sonhar com os amores.
O degrau das igrejas é meu trono,
Minha pátria é o vento que respiro,
Minha mãe é a lua macilenta,
E a preguiça a mulher por quem suspiro.
Escrevo nas paredes as minhas rimas,
De painéis a carvão adorno a rua;
Como as aves do céu e as flores puras
Abro meu peito ao sol e durmo à lua.
Sinto-me um coração de Lazzaroni;
Sou filho do calor, odeio o frio;
Não creio no diabo nem nos santos...
Rezo a Nossa Senhora, e sou vadio!
Ora, se por aí alguma bela
Bem doirada e amante da preguiça
Quiser a nívea mão unir à minha
Há de achar-me na Sé, domingo, à Missa.
(AZEVEDO, 2000, p. 233)
Aqui fica nítida a poesia que trava relações entre o eu-lírico e a sociedade vigente; não há um mergulho em si como busca de um universo supra-real, mas revelam-se traços de uma sociedade desarmônica e de idéias superficiais. Aliás, essa realidade é a que mostra ser vigente aos olhos do poeta; ele cria dois universos distintos em sua Lira, ambos expressos sob a visão do sujeito-lírico e que nos impregna de impressões, ora de subjetividade e transcendência, ora de objetividade e repelência.
O poeta mostra o perfil do que se encontra num caminhar por entre os objetos e as pessoas; trata-se de um plano horizontal, onde se constata o universo sensível com que se depara após a expulsão do paraíso e a queda na terra.
Nos primeiros poemas da Lira, notava-se que a lua sempre despontava nos cenários, derramando sua sensualidade e seus mistérios sobre os sentimentos do poeta, e prateando os objetos de forma que atingissem um aspecto difuso e espiritual, conforme se observa na estrofe abaixo, de No Mar:
E que noite! que luar!
E que ardentias no mar
E que perfumes no vento!
Que vida que se bebia
Na noite que parecia
Suspirar de sentimento!
(AZEVEDO, 2000, p. 121)
Agora, o sol surge para descortinar toda a realidade; tudo se torna visível, aparente, nítido e sem disfarces. Não há mais os ardores que elevavam o devaneio lírico a uma progressão ilimitada, mas uma crua constatação dos objetos e da humanidade em sua mais total frieza. Enquanto a noite valoriza a inspiração, o dia revela-se insensível e abriga um pensamento capitalista.
O poeta ironiza, muitas vezes, sua condição perante a sociedade, que passou a valorizar os setores de produção com o advento da Revolução Industrial e chocou, segundo a forma como expõe no texto, sua sensibilidade. Ele se posiciona numa situação de contra-mão ao pregar a inspiração e a natureza num mundo em que a industrialização iniciou um esfriamento de tensões interiores para abraçar o pensamento racional, capitalista e objetivista.
No poema em análise, o poeta contrapõe sua condição de boêmio e descompromissado a um universo que valoriza o dinheiro, a concorrência e o falso moralismo. O título já revela sua excentricidade por distanciar-se do núcleo comum das ações corriqueiras, numa ironia que desperta seu cinismo para com o materialismo desenfreado que aborda o pensamento da época.
Logo no primeiro verso há uma auto-afirmação de um eu que vive “ao sol como um cigano”. Existe aí uma marca importante de transitoriedade: o sujeito-lírico não se encontra numa situação-local específica; ele passa pelos objetos, dá voltas pelo mundo, vaga por entre as pessoas como um cigano. Não há mais o recorte de um momento de êxtase, mas o desapego do mundo por meio da abrangência do todo, sem se deter em momentos de intensa subjetividade. Viver ao sol como um cigano indica, dessa forma, constatar a realidade sem se interessar por ela, tornar descartável tudo que faz parte dela. Ele dá mais importância ao seu cigarro vaporoso e às estrelas, pois são elementos que lhe proporcionam viver na excentricidade de uma vida boêmia.
“Sou pobre, sou mendigo, sou ditoso!”. Aqui o poeta contrapõe o materialismo e a ventura, ou seja, pode até não ser rico e viver às soltas, mas gosta de sua liberdade. O estado de vagabundice é visto, então, como aspecto positivo sob a trama da ironia, que denuncia a riqueza material por roubar a alma dos homens, escravos do materialismo. Mais abaixo ele reafirma sua condição de miserável (“Ando roto, sem bolsos nem dinheiro”) e novamente valoriza essa condição quando conclui que “quem vive de amor não tem pobreza”. O andar roto e sem dinheiro condiz com a realidade, enquanto que o amor condiz com a noite, ou seja, o materialismo está para o sol da mesma forma que o amor está para a lua. Ademais, ao citar sua condição precária, ele diz que anda, e quando cita o amor sobre a pobreza, ele diz que canta. Então, o andar indica um movimento de repetição, de monotonia e prosaísmo, ao passo que o cantar indica a flexibilidade, a inspiração, a elevação, a poesia... Esse confronto nos remete a uma das principais propostas do Romantismo, que foi a liberdade de expressão e a liberação dos sentimentos profundos.
A constatação de que o dinheiro afasta as pessoas de sua individualidade e as torna dependentes das frias relações comerciais faz dele um tipo irônico, que se nega a participar do todo e ri do mundo ao seu redor. Sob esse ponto de vista “... o dinheiro passa a ser visto como um passaporte da sobrevivência de todos quantos circulam no mundo venal e indiferente às dores individuais.” (SANTOS, 2000, p. 105)
Ao dizer “Não invejo ninguém, nem ouço a raiva”, o poeta denuncia a intriga e o sentimento mesquinho que preenchem a alma das pessoas, colocando-se como mero observador da sociedade a partir de sua própria exclusão dela. Ele se torna imune a esses sentimentos “baixos” tomando como proteção a noite, quando nele “... se entornam / os reflexos do baile fascinante”. Novamente há um confronto entre a razão e a emoção, marcada pela presença da noite, que tudo apaga. Aliás, inveja e raiva são emoções negativas que implicam sempre um ou mais interlocutores numa situação de conflito, ao passo que a inspiração da noite implica apenas o despertar da imaginação de um ser inspirado.
Nessa sua existência aventureira, ele afirma ter amores, ser “garboso e rapaz”. É interessante observar que nessa vertente de sua poesia, Álvares de Azevedo expõe um sujeito-lírico que se auto-descreve, como se observa nos versos:
“Sou pobre, sou mendigo, e sou ditoso!”
“Ando roto, sem bolsos nem dinheiro”
“Sou garboso e rapaz...”
“... sou rei como um poeta”
e sustenta suas qualidades de forma a achar-se arrojado e galante, em oposição a um eu que outrora suplicava pelo amor de uma dama e a ela referia-se descritivamente.
Em “Oito dias lá vão”, ele instaura um marco temporal que situa seu momento presente, o que denota um tom prosaico e narrativo. Os verbos no presente também revelam continuidade de ações que vão acontecendo com o passar do tempo, em aparente despreocupação com o “instante sublime”; é como se tudo e todos que passam por ele não lhe causassem apego nem fossem importantes para continuarem a fazer parte de sua vida. Dessa forma, ora ele rouba um beijo da criada, ora se encanta com a vizinha que lhe sorri docemente...
Esse desapego a elementos da vida concreta aparece mais tarde em Manuel Bandeira, não de forma a estar preso ao presente, mas como um passado glorioso do qual o eu-lírico se lembra e se sente satisfeito. Observe-se:
Poema só para Jaime Ovalle
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei.
Bebi um café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
(BANDEIRA, 1974, p. 273)
Tem-se a impressão de que aquele “eu” adolescente de “Vagabundo” é esse sujeito amadurecido que aparece na poesia acima de Manuel Bandeira. Percebemos que surge aí o cigarro no momento em que o eu-poético põe-se a pensar nas mulheres que amara, atingindo o mesmo efeito de sublimação, fugacidade e diluição do ambiente concreto; mas a fuga acontece apenas pela memória, e não pelas ações inconseqüentes vistas no poema do autor da Lira.
Tanto a lira sentimental como a lira humorística de Álvares de Azevedo são expressas, freqüentemente, num momento presente, o que contribui para a espontaneidade da euforia desenfreada das lágrimas, do desejo, das ações e do riso amargo. Toda essa euforia, no poema de Bandeira, é suspensa pelo efeito memorialístico produzido, em que as ações do passado não são ditas, mas lembradas com humildade e satisfação. Aliás, há aqui uma poesia ainda mais desprovida de recursos formais, revelando despojamento, despreocupação e ausência de tensão.
No verso que abre a sexta estrofe de “Vagabundo”, as longas ruas que o poeta afirma serem seu palácio mostram novamente a horizontalidade de seu percurso, num movimento de constatação e abandono dos objetos próximos. Ele passeia a gosto, ou seja, não tensiona sua mente por não deixá-la atentar-se aos elementos que lhe causam repulsa. Há uma seqüência de elementos da vida real de que o poeta se apropria para caracterizar sua vida boêmia, como o cigarro que lhe satisfaz o vício; os namoros descartáveis que lhe trazem alegria, prazer e jovialidade; as ruas, por onde transita entregue à própria sorte... O epicurismo torna-se, então, uma característica marcante nesse momento da poesia azevediana, o que se completa com o vinho, aparente no final dessa estrofe. A bebida traz a sensação de leveza e elevação de que precisa para integrar-se a um universo fantasioso e imaginário, longe da civilização.
“Quando bebo, sou rei como um poeta”. Aqui ele retoma a coroação que o vinho lhe proporciona, remontando o pensamento de Macário quando diz que “... o vinho faz do príncipe um poeta e do poeta um príncipe” (AZEVEDO, 2000, p. 527). Repare-se que, ao entrar na estalagem, na primeira cena do drama, Macário pede à dona que lhe prepare cama, ceia, charuto e
“Sobretudo não esqueçam o vinho!
UMA VOZ.
Há aguardente unicamente, mas boa.
MACÁRIO.
Aguardente! Pensas que sou algum jornaleiro?... Andar seis léguas e sentir-se com a goela seca! oh! mulher maldita!...”
(AZEVEDO, 2000, p. 510)
O vinho traz o sossego dos pensamentos, o distensionamento dos ânimos, a elevação dos sentimentos e “faz sonhar com os amores”. Dessa forma, instala-se a concepção byroniana de poesia, buscando-se no vinho a inspiração dos versos, conforme se observa também numa passagem do canto XXVI em O Poema do Frade, quando o frade refere-se ao poeta do qual conta a história:
Só quando o fogo do licor corria
Da fronte no palor que avermelhava,
Com as convulsas mãos a taça enchia,
Então a inspiração lhe afervorava
E do vinho no eflúvio e nos ressábios
Vinha o fogo do gênio à flor dos lábios!
(AZEVEDO, 2000, p. 325)
É curioso perceber também, no trecho acima de Macário, que há um dado europeizante fornecido pela recusa à aguardente, sendo uma bebida tipicamente brasileira. A fuga se instaura, como nesse contexto, por meio da não aceitação de elementos nacionais em favor de um requinte estrangeiro. Além dessa relação, é importante ressaltar novamente que o vinho se liga a várias conotações que sugerem sublimação, libertação e divagação.
Na sétima estrofe, há uma seqüência de metáforas que ressoam desde o seu ceticismo até seu mais total despojamento. O poeta dessacraliza a igreja ao considerar como trono seu degrau e desengaja-se do movimento histórico numa atitude anti-nacionalista ao fazer de sua pátria o vento que respira. Existe um sentimento de rompimento com as instituições que nega sua participação social e o torna aquém da realidade descortinada à sua frente. Isso acontece por meio da troça, do olhar irônico que lança ao mundo; ele zomba da crença das pessoas, torna frágil a religiosidade (já que ela inibe os desejos dos homens), e mostra-se satisfeito em sua “desordem”.
Mas vejamos que na estrofe seguinte há uma atitude que revela sua preocupação em marcar sua presença na memória dos homens. Ele escreve suas rimas nas paredes e adorna as ruas com carvão; trata-se de uma imagem que agride a realidade dos homens, penetra seu cotidiano e os faz enxergar que há um movimento de revolta. Na verdade, as rimas nas paredes e a marca do carvão nas ruas revelam uma oposição radicalizada por um sujeito dotado de sensibilidade e insatisfeito com o quadro de imagens frias e cruas com o qual se depara diariamente. Percebe-se, então, que a negação de sua participação histórico-social exposta até então acaba por lançar-lhe a uma rebeldia que o faz agredir a objetividade e o racionalismo social por meio de ações que afirmam seu descontentamento. Dessa forma, ao ignorar a realidade dos homens e andar na contra-mão dos princípios vigentes, o poeta já assume uma posição de agente social.
Nas duas últimas estrofes, há uma ironia que se produz na temática religiosa, repercutindo numa visão sarcástica do culto aos santos e da prática religiosa.
“Não creio no diabo nem nos santos
Rezo a Nossa Senhora, e sou vadio!”
Primeiramente, ele nega qualquer crença, depois afirma rezar à Nossa Senhora, e em seguida contradiz sua oração por afirmar-se vadio. Esse movimento de afirmação e negação leva a uma ironia que arranha os princípios cristãos e acentua seu desacordo com o mundo. E o que torna mais risível essa contradição é o fato de ele ser assíduo à Missa, conforme se observa quando diz que se uma bela quiser unir a mão à sua, há de encontrá-lo na Sé, domingo, à hora da Missa. Mas percebemos que essa mulher deve ser também amante da preguiça, ou seja, possuir os mesmos traços da personalidade dele. Então, não há uma predisposição a mudanças comportamentais que o insiram no contexto social, pois deseja que no futuro sua vida permaneça como sempre fora. Como freqüentador da igreja, ele cumpre uma tarefa social, mas com intenções divergentes, remetendo-nos a personagens de Gil Vicente, que correspondem ao apelo social religioso, mas deturpam o objetivo primeiro da instituição, que é a purificação do ser.
III- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ainda que a poesia da primeira parte da Lira não tenha sido o foco da discussão, é necessário lembrar novamente que a segunda parte da obra é concebida a propósito e com plena consciência do poeta como uma sátira daquela; a elevação de outrora dá lugar a uma visão crítica da realidade nesta.
Essa moeda de faces distintas forma uma unidade; trata-se de duas realidades opostas que, confrontadas, formam um todo. O resultado dessa duplicidade é a ironia, já que se nega um universo subjetivo por meio de seu reverso: um universo em deformação, objetivo e desordenado.
Álvares de Azevedo incorporou em sua poesia, dessa forma, aquilo que já era moda entre os românticos europeus: a ordem natural e a transgressão social. Segundo Octavio Paz,
...Ainda que as paixões corporais ocupem um lugar central na grande literatura libertina do século XVIII, somente nos pré-românticos e nos românticos o corpo começa a falar. E a linguagem que fala é a linguagem dos sonhos, dos símbolos e das metáforas, numa estranha aliança do sagrado com o profano e do sublime com o obsceno. (PAZ, 1984, p. 54)
A ironia nos poemas da segunda parte da Lira revela, além da negação do transcendente e da sátira, a consciência de finitude: fim dos sonhos, fim da noite, morte. O eu-poético de “Vagabundo”, ao andar pelas ruas, percebe a incoerência entre seus sonhos e o mundo real, há nítida dissonância entre seus desejos e o apelo social. Lembremos que Octavio Paz ainda afirma que a ironia “...consiste em inserir dentro da ordem da objetividade a negação da subjetividade” (p. 68) e refere-se aos românticos como aqueles que têm “...predileção pelo grotesco, o horrível, o estranho, o sublime irregular, a estética dos contrários, a aliança entre o riso e o pranto, prosa e poesia, incredulidade e fé...” (p. 69), o que havia sido abordado por Victor Hugo no prefácio de Cromwell, quando elaborou a teoria “Do Grotesco e do Sublime”.
Álvares de Azevedo incorporou essa prática literária dos contrastes em sua poética conscientemente e conseguiu encantar os leitores de sua época e muito mais os que sobrevieram a ele, com uma linguagem ora lacrimejante e suave, ora zombeteira e transgressora.
BIBLIOGRAFIA
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SCHILLER, Friedrich. Poesia ingênua e sentimental. Trad. Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 1991.