Foram eleitos, recentemente, os 10 melhores livros brasileiros da década, que seguem abaixo:
1. Dois irmãos – Milton Hatoum (Cia. das Letras)
2. Nove noites – Bernardo Carvalho (Cia. das Letras)
3. Eles eram muitos cavalos – Luiz Ruffato (Record)
4. O vôo da madrugada – Sérgio Sant’Anna (Cia. das Letras)
5. Acenos e afagos – João Gilberto Noll (Record)
6. Elefante – Francisco Alvim (Cia. das Letras)
7. Máquina de escrever – Armando Freitas Filho (Nova Fronteira)
8. O filho eterno – Cristóvão Tezza (Record)
9. Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves (Record)
10. Leite derramado – Chico Buarque (Cia. das Letras)
O julgamento foi feito por dez críticos e escritores especializados, e gerou polêmica no circuito televisivo e jornalístico, entre aqueles que acreditam ser injusta a classificação acima. O novelista Aguinaldo Silva, por exemplo, publicou em seu blog sua indignação por tratar-se de livros de pouca circulação nas livrarias, o que pôde constatar quando esteve em uma delas para comprá-los. Ainda fez crítica em relação ao livro “Leite Derramado”, de Chico Buarque, considerando que, ao folheá-lo, não sentiu interesse em lê-lo. Jean Willys, mestre em literatura, escritor e igualmente envolvido com televisão, endossou a visão de Aguinaldo Silva, dizendo haver “apadrinhagem” nessa escolha e que os escritores eleitos obedecem a critérios estéticos apenas para agradarem a essa crítica literária; o rapaz ainda inviabiliza a lista por considerar que os livros mais vendidos não fazem parte dela. Opiniões como estas corroboram a relação entre qualidade e consumo!...
Pensando nisso, voltei ao livro Altas Literaturas, de Leyla Perrone-Moisés, num trecho em que ela destaca o seguinte comentário de T. Adorno:
Não se deve buscar a relação da arte com a sociedade na esfera da recepção. Essa relação é anterior à recepção, e se situa na produção. O interesse do deciframento social da arte deve voltar-se para a produção, em vez de se contentar com sondagens e classificações dos impactos, que na maior parte das vezes, por razões sociais, divergem das obras de arte e de seu conteúdo social e objetivo. Desde tempos imemoriais, as reações dos homens às obras de arte são mediatizadas ao extremo e não se referem imediatamente à coisa.
Pensem nisso e tirem suas conclusões. Se quiserem compartilhar, deixem seus comentários, que será uma interessante discussão.






