"O artista é o viajante feliz que, após ter longamente navegado sobre as águas da dúvida, nas trevas do esforço, pode, enfim, bradar: terra!"

(Mikel Dufrenne)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Literatura: entre a produção e o consumo. O que avaliar?

Foram eleitos, recentemente, os 10 melhores livros brasileiros da década, que seguem abaixo:



1. Dois irmãos – Milton Hatoum (Cia. das Letras)


2. Nove noites – Bernardo Carvalho (Cia. das Letras)


3. Eles eram muitos cavalos – Luiz Ruffato (Record)


4. O vôo da madrugada – Sérgio Sant’Anna (Cia. das Letras)


5. Acenos e afagos – João Gilberto Noll (Record)


6. Elefante – Francisco Alvim (Cia. das Letras)


7. Máquina de escrever – Armando Freitas Filho (Nova Fronteira)


8. O filho eterno – Cristóvão Tezza (Record)


9. Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves (Record)


10. Leite derramado – Chico Buarque (Cia. das Letras)


O julgamento foi feito por dez críticos e escritores especializados, e gerou polêmica no circuito televisivo e jornalístico, entre aqueles que acreditam ser injusta a classificação acima. O novelista Aguinaldo Silva, por exemplo, publicou em seu blog sua indignação por tratar-se de livros de pouca circulação nas livrarias, o que pôde constatar quando esteve em uma delas para comprá-los. Ainda fez crítica em relação ao livro “Leite Derramado”, de Chico Buarque, considerando que, ao folheá-lo, não sentiu interesse em lê-lo. Jean Willys, mestre em literatura, escritor e igualmente envolvido com televisão, endossou a visão de Aguinaldo Silva, dizendo haver “apadrinhagem” nessa escolha e que os escritores eleitos obedecem a critérios estéticos apenas para agradarem a essa crítica literária; o rapaz ainda inviabiliza a lista por considerar que os livros mais vendidos não fazem parte dela. Opiniões como estas corroboram a relação entre qualidade e consumo!...


Pensando nisso, voltei ao livro Altas Literaturas, de Leyla Perrone-Moisés, num trecho em que ela destaca o seguinte comentário de T. Adorno:


Não se deve buscar a relação da arte com a sociedade na esfera da recepção. Essa relação é anterior à recepção, e se situa na produção. O interesse do deciframento social da arte deve voltar-se para a produção, em vez de se contentar com sondagens e classificações dos impactos, que na maior parte das vezes, por razões sociais, divergem das obras de arte e de seu conteúdo social e objetivo. Desde tempos imemoriais, as reações dos homens às obras de arte são mediatizadas ao extremo e não se referem imediatamente à coisa.

Pensem nisso e tirem suas conclusões. Se quiserem compartilhar, deixem seus comentários, que será uma interessante discussão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Olá, pessoal! Desculpem o tempo em que fiquei sem fazer postagens, mas é que aproveitei o período para me desligar um pouco de tudo... e foi necessário mesmo, pois 2009 foi um ano pra lá de cansativo, embora muito positivo. Aos poucos estou retomando meus afazeres, e confesso que senti falta de escrever no blog, compartilhar textos e ideias. Em tempos de "crise da sensibilidade", é um privilégio mantermos um espaço virtual que nos permita um contato através da literatura. É com grande alegria que reinicio este nosso contato!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A todos vocês que acompanharam nosso blog durante o ano, manifesto meus sinceros votos de que estas festas de fim de ano proporcionem alegria e união entre amigos e familiares. Desejo que estas férias sirvam para descanso, pausa e que novos projetos se apresentem para nos estimularmos em novos sonhos e desafios. Espero que as nossas postagens tenham contribuído para momentos de lazer, reflexão e estudo. Em 2010, aguardo sugestões, textos e comentários que enriqueçam os nossos estudos de literatura. Um grande abraço a todos, e muito obrigado!!!


domingo, 13 de dezembro de 2009

Ivan Junqueira é um dos grandes destaques da poesia brasileira contemporânea. O poema abaixo é de seu último livro: O outro lado.

INDAGAÇÕES

Na manhã fria e nevoenta,
inesperada dádiva neste verão que calcina
até mesmo a áspera pele das pedras,
pergunto-me afinal se valeu a pena
a aposta que fiz no infinito e na beleza,
em Deus e na eternidade, na poesia
que me abandona agora à própria sorte
na extrema fronteira entre a vida e a morte.
E um pássaro pousado em meu ombro
responde: não há vida nem morte, mas apenas
o sonho de alguém que, numa viagem,
julgou estar em busca do eterno,
sem saber que o que nos cabe
(e o que somos, tão fugazes)
é, se tanto, uma escassa chama que arde
e se apaga ao fim da tarde.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A escritora Clarice Lispector realizou dezesseis pinturas sobre madeira em 1975, dois anos antes de sua morte. Não diferentes de sua literatura, suas pinturas causam impacto por aparente estranheza, seguida de sensações múltiplas que promovem a crise da subjetividade. Abaixo, seguem algumas dessas pinturas:

Medo
GrutaPássaro da liberdadeEscuridão e luz: centro da vida


Sem título

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Heidegger, filósofo contemporâneo, acreditava que a tecnologia afastou o homem do seu próprio ser, e que a poesia é a única forma de nos redirecionarmos a ele. George Steiner, comentando os pensamentos de Heidegger sobre poesia, diz:

NUM CERTO SENTIDO PERIGOSO, O POETA É UM 'RE-CRIADOR' QUE DESAFIA OS DEUSES AUSENTES, QUE FAZ O TRABALHO DELES NO LUGAR DELES, EMBORA SOB O RELÂMPAGO DE SUA VISÃO PRÓDIGA E CIUMENTA.

A POESIA REAL NÃO "IMITA", COMO DIRIA PLATÃO, NEM "REPRESENTA" OU "SIMBOLIZA", COMO A SUPÕE A TEORIA LITERÁRIA PÓS-ARISTOTÉLICA. ELA DENOMINA E, AO DAR NOMES, TORNA-SE REAL E DURADOURA.

O POETA DENOMINA O QUE É SAGRADO.

PENSAR, ESCREVER UM POEMA É AGRADECER SEJA QUAL FOR A MEDIDA DE RETORNO AO SER QUE ESTEJA ACESSÍVEL AO HOMEM MORTAL.

EM MEIO A UM NIILISMO E DESPERDÍCIO ESPIRITUAL DE QUE SEU PRÓPRIO STATUS SOCIAL E PSICOLÓGICO VULNERÁVEL O FEZ A MAIS AGUDA E MAIS AMEAÇADA DAS TESTEMUNHAS, É O POETA QUEM, SUPREMAMENTE, TALVEZ ATÉ SOZINHO, GARANTE O "REGRESSO" FINAL DO HOMEM À VERDADE NATURAL, A UM LAR SANTIFICADO NO MUNDO DOS SERES.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As considerações abaixo, sobre a obra Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, foram feitas por Alan Ponci, aluno do último período do curso de Letras da UNIESP-FABAN.




Agilidade textual, através de recursos pouco ortodoxos, tais como: vírgula em lugar de ponto final. Porém, após a vírgula recomeça-se com letra maiúscula, e só através de contexto é possível notar que se trata da fala de outra personagem, pois o escritor economiza, inutiliza os travessões.


*


Ao fim do primeiro capítulo, nenhum nome foi citado, denotando a perda de identidade em meio ao caos urbano; somente o narrador se esmira em traduzir os sentidos, os sentimentos humanos; uma inglória tarefa que beira dizer o indizível.


*


A velocidade da narrativa é alucinante, para tentar acompanhar o ritmo frenético da vida contemporânea.



*



Perda da noção do tempo, exceto a mulher do médico, que conserva o relógio. Nomes, não. Assumidamente, nomes não importam mais.



*



Quando, por ocasião do incêndio, vêem-se livres, sentem falta dos soldados, que os aprisionavam naquele inferno: - foram institucionalizados, ainda mais porque não sabem mais como e o que fazer em liberdade.



*



A fé é uma das últimas “coisas” a ser perdida (santos e Jesus vendados).



*



Em contrapartida com a cegueira normal, que é negra, esta é branca, esta retira o indivíduo das trevas, já que o branco esclarece, traz à tona uma nova realidade, tão clara que é cega (hiperglaucomia ), desfoca , embaraça.



*



O que cega as pessoas?



Essa alegoria é chave para o entendimento crítico da obra: As pessoas vêem o mundo como lhe convêm, isto é, não vêem de fato o mundo como ele é. Temos, senão, uma visão egocêntrica de mundo, pessoas que de tão preocupadas consigo mesmas, com tanto “medo” de cegar, não enxergam que existem outras pessoas com problemas. Aí está o que difere a mulher do médico dos demais: o autoísmo.



Podemos considerar a mesma analogia para avaliar a afirmação da heroína em questão: “Será que chegou a minha vez de cegar?” Faz sentido, pois uma vez que todos voltam a ver, a visão dela não importa mais, estão todos de volta a “seus próprios mundos”.



*



Se vivemos num mundo de aparência, onde os indivíduos são enquadrados por suas funções e não por quem são (o médico, o faxineiro, a prostituta), atribuímos os nomes à posição social. Agora, incapacitados, jogados num mesmo hospício (uma utopia de nivelamento social), só lhes restam vagas associações: o 1° cego, o velho da venda preta etc.



Isso porque a ninguém interessou “conhecer” verdadeiramente o próximo, só sua utilidade; o homem é visto como peça em uma máquina, isto é, o capitalismo desumaniza, desconstrói a identidade.

sábado, 7 de novembro de 2009

Antônio Cícero é um dos destaques da crítrica e da produção poética brasileira contemporânea. Uma de suas grandes contribuições é a aproximação que faz entre literatura e filosofia. Abaixo, uma de suas poesias:

GUARDAR

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda um vôo de um pássaro
do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Assim como na tradição metafísica, há na obra de Alexei Bueno (além de ensaísta e crítico de literatura) uma inquietação onipresente entre a carnalidade e o espiritual, dualidade nunca resolvida e subjacente em todas as angústias que disparam seus poemas. Trata-se de uma poesia que se pretende contemporânea, isto é, relativa ao Homem presente e suas aflições terrenas, não apresentando nenhum tipo de escapismo, seja ele utópico ou histórico. O que não significa uma renegação da tradição: para Alexei Bueno, a arte, a grande arte, é sempre universal e a-histórica. Dos gregos à moderna poesia brasileira, importa-lhe mais, tanto na condição de crítico quanto na de poeta, a densidade e a elevação alcançadas por autores e suas obras, fatores que estabelecem a verdadeira habitação do poético. Abaixo, transcrevemos duas poesias desse autor:



HELENA


No cômodo onde Menelau vivera
Bateram. Nada. Helena estava morta.
A última aia a entrar fechou a porta,
Levavam linho, ungüento, âmbar e cera.

Noventa e sete anos. Suas pernas
Eram dois secos galhos recurvados.
Seus seios até o umbigo desdobrados
Cobriam-lhe três hérnias bem externas.

 
Na boca sem um dente os lábios frouxos
Murchavam, ralo pêlo lhe cobria
O sexo que de perto parecia
Um pergaminho antigo de tons roxos.

 
Maquiaram-lhe as pálpebras vincadas,
Compuseram seus ossos quebradiços,
Deram-lhe à boca uns rubores postiços,
Envolveram-na em faixas perfumadas.

 
Então chamas onívoras tragaram
A carne que cindiu tantas vontades.
Quando sua sombra idosa entrou no Hades
As sombras dos heróis todas choraram.



VIDÊNCIA

Se os nossos olhos te enxergassem, rosa,
E não só: “É uma rosa” nos dissessem
Na vulgar gradação que nunca esquecem,
Que epifania na manhã tediosa!

 
Se eles vissem, ao vê-la, cada coisa
E não seu nome, se afinal pudessem
Fugir da furna abstrata onde destecem
A vida, um morto partiria a lousa

 
Maciça de aqui estar. Flor, nuvem, muro,
Árvore, que é uma só e não tal nome,
Se tudo entrasse o corredor escuro

 
Que há em nós, algo de exato se ergueria,
Algo que pára o tempo ou que o consome,
Que alveja a noite e entenebrece o dia.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

No link abaixo, há uma publicação minha que acabou de sair pela Revista Estação Literária, da UEL. Trata-se de um artigo onde comparo três poesias portuguesas do século XX ("Lisbon Revisited 1923", de Álvaro de Campos, "Cântico Negro", de José Régio, e "Livro de Horas", de Miguel Torga), que nos permitem filiar esses poetas a um viés filosófico-existencialista.

http://www.uel.br/pos/letras/EL/vagao/EL3Art1.pdf

Alexandre de Melo Andrade.


William Blake (1757-1827) é uma das grandes vozes da poesia inglesa do século XVIII. Nasceu em Londres, onde morou praticamente por toda a vida. Sua obra não pode ser dissociada de uma aura mística e religiosa. Abaixo, transcrevemos alguns dos seus "Provérbios do Inferno", extraídos de sua obra O casamento do céu e do inferno:

* No tempo de semear, aprende; na colheita, ensina, e no inverno, goza.

* A Prudência é uma velha solteirona, rica e feia, cortejada pela Incapacidade.

* As horas da tolice são medidas por ponteiros, mas as da sabedoria, não há relógios que as meça.

* Se o louco persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio.

* A ave, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.

* O que hoje é evidência foi outrora imaginação.

* Um pensamento abarca a imensidão.

* Quem sofreu o teu domínio te conhece.

* Espere veneno da água estagnada.

* Escuta a crítica dos imbecis. É um nobre elogio.

* A alma imersa em delírios jamais será maculada.

* Ergue a cabeça ao avistares uma águia. Estarás vendo uma porção do Gênio.

* Assim como a lagarta escolhe as melhores formas para depositar seus ovos, o sacerdote arroja suas maldições sobre as mais sublimes alegrias.

*Quem não irradia luz jamais será uma estrela.

*Antes que nutra desejos irrealizáveis, é melhor matar a criança no berço.
PERDIÇÃO


“Meu ódio queima;
Meu coração destrói;
Minha calma tudo mata;
Que maldição é esta que me aflige
Se nada ao mundo eu disse?

“Entre negras pradarias
Permeadas de vontades vazias
Sinto que nada mais grita.
Tudo cessou, tudo acabou.
Nada mais aqui restou...

“Meu destino está perdido
Lancei-me ao Vazio,
Sem esperança, sem vida.
Mia alma grita
Mas ninguém a ampara...

“A desgraça me aflige,
E, jogado no Estige,
Peço aos mortos
Que se unam a meu coro
E que amaldiçoem estes reinos!”

(Conde Darkheart)

sábado, 10 de outubro de 2009

Abaixo transcrevemos o resumo de alguns projetos em andamento de alunos da UNIESP-FABAN.

O Caráter Fantástico em Harry Potter and the Sorcerer's Stone

Victor Gobatti
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade

RESUMO: A literatura fantástica, desde seu surgimento no séc. XVIII, promove discussões e divergências entre os teóricos que a estudam e conceituam, trazendo à tona diversas dúvidas quanto à inclusão ou exclusão de obras perante a luz do fantástico enquanto gênero literário. Este trabalho de pesquisa científica vem apresentar, em primeira instância, um breve panorama histórico do surgimento de tal signo literário, assim como expor algumas das principais características que posicionam uma obra como fantástica, sendo elas: a verossimilhança e o processo de hesitação, que à luz da teoria de alguns estudiosos, são fundamentais para essa classificação. E em um segundo momento, promover a análise da obra Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, de J.K Rowling (1997), apresentando argumentos que a posicionarão nítida e claramente dentro da literatura fantástica, afastando-a de qualquer outra classificação que possa impulsioná-la para subgêneros convizinhos do fantástico.



A poética da Natureza em O Pastor Amoroso, de Alberto Caeiro
Alex Moretto
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade

Fernando Pessoa foi um dos maiores poetas portugueses, ao lado de Luís de Camões e Bocage. Seu talento era impressionante, e sua inteligência incomparável. Ao criar heterônimos e semi-heterônimos, tornou-se múltiplo. Cada heterônimo tinha sua biografia, caracteres físicos, traços de personalidade, formação cultural, profissão e ideologia. Mas apenas um heterônimo interessa para o nosso trabalho: Alberto Caeiro. Um homem simples, bucólico, viveu toda sua vida no campo, e criador de três obras: O Guardador de Rebanhos, Poemas Inconjuntos, O Pastor Amoroso. Dessas obras, apenas a última será analisada, pois é nessa que o eu-lírico mostra como o seu amor pela Natureza passou por dois momentos distintos. O primeiro quando ele não tinha a mulher amada, então amava a Natureza de uma forma infantil, via as coisas e procurava não pensar no significado delas. O outro momento refere-se à chegada da mulher amada; a partir daí ele precisa dessa figura feminina para contemplar a Natureza. Esses momentos marcantes nos levaram ao interesse de analisar as obras de Alberto para descobrir como esse poeta vê a Natureza, quais as mudanças em seu olhar.
A nossa pesquisa está no início. Já foram realizadas algumas pesquisas bibliográficas sobre Fernando Pessoa, a criação de heterônimos, o período histórico e literário correspondente à vida de Pessoa e a biografia de Alberto Caeiro. Faremos leituras sobre teorias poéticas e teorias sobre a Natureza. O livro Fernando Pessoa, o outro, de Gilberto de Mello Kwjawski, será de nosso interesse, pois nele temos a análise sobre a vida e a obra de Pessoa. Outro livro que servirá de apoio para nossa pesquisa é Poesia e realidade, de Carlos Felipe Moisés, nesse encontraremos uma crítica específica sobre Alberto Caeiro, ajudando na análise que faremos da obra de Caeiro.
Mas já é possível fazer algumas observações sobre O Pastor Amoroso. A obra aproxima-se da prosa, os versos e as estrofes são irregulares, o eu-lírico é o próprio Pastor Amoroso, que passa a ver na Natureza sua mulher amada, porém ela não ganha forma. A figura feminina o persegue, ele não consegue olhar apenas para a Natureza, pois ao olhá-la, seu pensamento traz a presença da amada. O texto é marcado por muitas comparações, e nele a Natureza é personificada.


Fronteiras entre Arcadismo e Romantismo na poesia de Almeida Garrett
Lílian Greco
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade

As obras românticas de Almeida Garret são conhecidas pela “renovação” que promoveram na literatura portuguesa. Porém o autor possui base clássica e nunca se desvencilhou totalmente de sua racionalidade e de aspectos da lírica tradicional. Muitos pesquisadores não reconhecem tais características; no entanto, Massaud Moisés, estudioso, pesquisador e difusor da literatura por excelência, ao defender o estado onírico como preponderante no Romantismo, afasta o poeta português de uma relação direta com os temas da escola romântica, filiando sua lírica a um racionalismo clássico. A seguinte pesquisa, portanto, vem mostrar que Almeida Garret, em suas obras poéticas, não possui o estado onírico no grau em que seria pertinente ao Romantismo. O resultado será de enorme relevância para os estudos literários, pois muda a concepção criada em torno do poeta.


domingo, 4 de outubro de 2009

SEGREDO

À Orides Fontela





A tua angústia vivida
Paralisou teu sangue convulso
E a limpidez de tua voz
Revelou a alvura de tua palavra.

Entre o verso e a vida
Ergueu-se o segredo.

(Alexandre de Melo Andrade)
Soneto nonecassílabo


Todo poeta acredita nos sonhos;
Achando que podem realizá-los;
Eu também acredito nos sonhos;
Mas jamais quererei realizá-los.

Pois quando os tornamos tão reais
Deixam assim de sê-los dos sonhos;
Passando a ser uma parte mais
De sua realidade em banhos.

Então, sonhos têm que ser dos sonhos;
A realidade da realidade;
Nós tanto dessa quanto daquela.

Viver assim entre as duas faz
Com que nós não morramos buscando
A realidadescontenta, ou sonhos.

(Michael Bonadio)