"O artista é o viajante feliz que, após ter longamente navegado sobre as águas da dúvida, nas trevas do esforço, pode, enfim, bradar: terra!"

(Mikel Dufrenne)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PERDIÇÃO


“Meu ódio queima;
Meu coração destrói;
Minha calma tudo mata;
Que maldição é esta que me aflige
Se nada ao mundo eu disse?

“Entre negras pradarias
Permeadas de vontades vazias
Sinto que nada mais grita.
Tudo cessou, tudo acabou.
Nada mais aqui restou...

“Meu destino está perdido
Lancei-me ao Vazio,
Sem esperança, sem vida.
Mia alma grita
Mas ninguém a ampara...

“A desgraça me aflige,
E, jogado no Estige,
Peço aos mortos
Que se unam a meu coro
E que amaldiçoem estes reinos!”

(Conde Darkheart)

sábado, 10 de outubro de 2009

Abaixo transcrevemos o resumo de alguns projetos em andamento de alunos da UNIESP-FABAN.

O Caráter Fantástico em Harry Potter and the Sorcerer's Stone

Victor Gobatti
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade

RESUMO: A literatura fantástica, desde seu surgimento no séc. XVIII, promove discussões e divergências entre os teóricos que a estudam e conceituam, trazendo à tona diversas dúvidas quanto à inclusão ou exclusão de obras perante a luz do fantástico enquanto gênero literário. Este trabalho de pesquisa científica vem apresentar, em primeira instância, um breve panorama histórico do surgimento de tal signo literário, assim como expor algumas das principais características que posicionam uma obra como fantástica, sendo elas: a verossimilhança e o processo de hesitação, que à luz da teoria de alguns estudiosos, são fundamentais para essa classificação. E em um segundo momento, promover a análise da obra Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, de J.K Rowling (1997), apresentando argumentos que a posicionarão nítida e claramente dentro da literatura fantástica, afastando-a de qualquer outra classificação que possa impulsioná-la para subgêneros convizinhos do fantástico.



A poética da Natureza em O Pastor Amoroso, de Alberto Caeiro
Alex Moretto
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade

Fernando Pessoa foi um dos maiores poetas portugueses, ao lado de Luís de Camões e Bocage. Seu talento era impressionante, e sua inteligência incomparável. Ao criar heterônimos e semi-heterônimos, tornou-se múltiplo. Cada heterônimo tinha sua biografia, caracteres físicos, traços de personalidade, formação cultural, profissão e ideologia. Mas apenas um heterônimo interessa para o nosso trabalho: Alberto Caeiro. Um homem simples, bucólico, viveu toda sua vida no campo, e criador de três obras: O Guardador de Rebanhos, Poemas Inconjuntos, O Pastor Amoroso. Dessas obras, apenas a última será analisada, pois é nessa que o eu-lírico mostra como o seu amor pela Natureza passou por dois momentos distintos. O primeiro quando ele não tinha a mulher amada, então amava a Natureza de uma forma infantil, via as coisas e procurava não pensar no significado delas. O outro momento refere-se à chegada da mulher amada; a partir daí ele precisa dessa figura feminina para contemplar a Natureza. Esses momentos marcantes nos levaram ao interesse de analisar as obras de Alberto para descobrir como esse poeta vê a Natureza, quais as mudanças em seu olhar.
A nossa pesquisa está no início. Já foram realizadas algumas pesquisas bibliográficas sobre Fernando Pessoa, a criação de heterônimos, o período histórico e literário correspondente à vida de Pessoa e a biografia de Alberto Caeiro. Faremos leituras sobre teorias poéticas e teorias sobre a Natureza. O livro Fernando Pessoa, o outro, de Gilberto de Mello Kwjawski, será de nosso interesse, pois nele temos a análise sobre a vida e a obra de Pessoa. Outro livro que servirá de apoio para nossa pesquisa é Poesia e realidade, de Carlos Felipe Moisés, nesse encontraremos uma crítica específica sobre Alberto Caeiro, ajudando na análise que faremos da obra de Caeiro.
Mas já é possível fazer algumas observações sobre O Pastor Amoroso. A obra aproxima-se da prosa, os versos e as estrofes são irregulares, o eu-lírico é o próprio Pastor Amoroso, que passa a ver na Natureza sua mulher amada, porém ela não ganha forma. A figura feminina o persegue, ele não consegue olhar apenas para a Natureza, pois ao olhá-la, seu pensamento traz a presença da amada. O texto é marcado por muitas comparações, e nele a Natureza é personificada.


Fronteiras entre Arcadismo e Romantismo na poesia de Almeida Garrett
Lílian Greco
Orientador: Prof. Ms. Alexandre de Melo Andrade

As obras românticas de Almeida Garret são conhecidas pela “renovação” que promoveram na literatura portuguesa. Porém o autor possui base clássica e nunca se desvencilhou totalmente de sua racionalidade e de aspectos da lírica tradicional. Muitos pesquisadores não reconhecem tais características; no entanto, Massaud Moisés, estudioso, pesquisador e difusor da literatura por excelência, ao defender o estado onírico como preponderante no Romantismo, afasta o poeta português de uma relação direta com os temas da escola romântica, filiando sua lírica a um racionalismo clássico. A seguinte pesquisa, portanto, vem mostrar que Almeida Garret, em suas obras poéticas, não possui o estado onírico no grau em que seria pertinente ao Romantismo. O resultado será de enorme relevância para os estudos literários, pois muda a concepção criada em torno do poeta.


domingo, 4 de outubro de 2009

SEGREDO

À Orides Fontela





A tua angústia vivida
Paralisou teu sangue convulso
E a limpidez de tua voz
Revelou a alvura de tua palavra.

Entre o verso e a vida
Ergueu-se o segredo.

(Alexandre de Melo Andrade)
Soneto nonecassílabo


Todo poeta acredita nos sonhos;
Achando que podem realizá-los;
Eu também acredito nos sonhos;
Mas jamais quererei realizá-los.

Pois quando os tornamos tão reais
Deixam assim de sê-los dos sonhos;
Passando a ser uma parte mais
De sua realidade em banhos.

Então, sonhos têm que ser dos sonhos;
A realidade da realidade;
Nós tanto dessa quanto daquela.

Viver assim entre as duas faz
Com que nós não morramos buscando
A realidadescontenta, ou sonhos.

(Michael Bonadio)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

PESCARIA


Um homem
que se preocupava demais
com coisas sem importância
acabando ficando com a cabeça cheia de minhocas.
Um amigo lhe deu então a idéia
de usar as minhocas
numa pescaria
para se distrair das preocupações.
O homem se distraiu tanto
pescando
que sua cabeça ficou leve
como um balão
e foi subindo pelo ar
até sumir nas nuvens.
Onde será que foi parar?
Não sei
nem quero me preocupar com isso.
Vou mais é pescar.

(José Paulo Paes)
Pergunte ao meu eu lírico



Quando o meu eu lírico me chama,
Logo penso:
Sairá algo bom?

E mais... quem será ele?

Um bucólico, um sentimentalista,
Um existencialista, um idiotista...?


Se algum dia um crítico
Descobrir, me avise.
Quero sabê-lo.
Quem sabe assim,
Posso me entender.

(Michael Bonadio)
AMOR ETERNO

A felicidade se fez ausente.
Resta a tristeza a este demente.
As flores no jardim estão a murchar.
Minha amada, delas não estás a cuidar.

Acendo um cigarro para aliviar a solidão.
Pouco adianta, é grande a dor no coração.
Anjos, não era este o momento de a levar.
Minha amada, contigo quero estar.

Todas as noites em meus sonhos tu estás.
E nele o seu lindo rosto posso tocar...
Minha amada, continue a me esperar.

E os dias passam lentamente.
Os pássaros tristes nas árvores estão a cantar.
Minha amada, por toda vida vou te amar.

(Edilson dos Resis)


SOLIDÃO

Na vida não fui poeta
simplesmente um sonhador,
que vivenciou toda dor
causada pela perda
de um grande amor.

Se hoje os meus olhos
inundados por lágrimas estão,
é que magoado se fez
o pobre coração,
entre tanta ilusão.

Sem que me cuidasse,
deixei que os meus sonhos
de amor um anjo levasse;
e quando fui perceber
estava sem motivos para viver.

Aquelas lindas maçãs
vermelhas como as rosas
que um dia beijei,
hoje sei que jamais as verei
e em seus seios não mais repousarei.

Hose a solidão se fez!
Uma vida errante...
Não me tornei amante;
e sempre fiquei a acreditar
que um dia fosses me amar.

(Edilson dos Reis)
LEMBRANÇA


“Perante estas eras sombrias,
Açoitadas por ventanias;
Terrível, sombrio, maldito,
É aquele que agora invoco!

“Meu coração palpitante,
Num sofrimento gritante,
Urra um nome sombrio,
De tom maldito, horrível,
Que em vão tento esquecer...

“Tua face me recorda
De tempos há muito perdidos,
Que, no Limbo esquecidos,
Aplacam meu sofrimento...

“Um som agourento
Recorda-me do terror
E uma vez mais sinto a dor
Neste corpo funesto,
Nesta face que detesto!

“Ah, se o ódio aplacasse,
E essa dor findasse,
Num simples enlace,
Arrancaria minh’alma!

“Mas ainda assim sofro,
E pelo Inferno corro,
Desesperado...

“E aqui me encontro,
Tão desolado, abandonado!
E ainda sinto a dor, o terror!

“PÁRA DE ME FAZER SOFRER!
EU SÓ DESEJO MORRER!

“Mias falanges rangem
Teu retrato apagado
Pelo Tempo açoitado
De modo tão irado...

“Tua face me recorda
Daquilo que em mim mora
Sem nunca morrer...

“Mas meu corpo recusa,
E minha alma acusa
De que era em vão...

“Passo a detestar
E a tudo odiar,
Para que uma vez mais
Possa descansar...

“Mas minha mente recusa,
E novamente de mim abusa,
Pois me volta a lembrar...

“Como era doce teu toque,
Que em minha pele agora morre,
Em puro desespero...

“Sonho uma vez mais contigo,
Aqui, neste frio jazigo,
Em meio à podridão...

“Rasgo-me novamente
E ao longe eu lanço
Num maldito balanço
Meu coração dormente!

“Eu quero apenas parar de sofrer!
E seu amor eu hei de esquecer!
Maldita traidora!
Maldita! Maldita!
Que apodreças em sua pose
De doce senhorita!
Pois ainda é apenas carne!

“Te odeio! Te detesto!
E por isso ao Abismo peço
PARA QUE MORRAS SOFRENDO NO INFERNO”
(Conde Darkheart)

sábado, 19 de setembro de 2009

Realidade Perdida



Tom estava no quarto olhando para o teto; via nele as estrelas escondidas. No teto branco imaginava o cosmo sobre suas vidas. Suas vidas...
Mas vida de quem?
Lembrou-se então da semana passada quando feliz estava por ter conseguido o emprego que sempre sonhara.
Você começa amanhã! – disse com ênfase o gerente do setor de produção de “grande empresa grande” da cidade.
Amanhã começa minha vida nova, pensava consigo, tudo que sempre quis agora realizarei.
Seus sonhos não eram muitos: queria um lugar para viver, roupas para vestir, um transporte próprio para ir e vir.
A vida agora seria outra.
Acordou ainda antes do sol nascer, não queria se atrasar; pegou duas conduções, as duas cheias.
O dia passou rápido; a empolgação não deixara olhar para o relógio.
Chegou tarde em casa, pois tinha perdido a conexão no terminal de ônibus. Mas ainda assim com um sorriso de orelha a orelha.
Sua mãe percebeu seu cansaço e ofereceu-lhe o jantar; não respondeu, pois estava dormindo. E num sorriso orgulhoso ela disse: meu filho é alguém.
A semana passou; os dias iam iguais. Com o fim de semana se aproximando, o sorriso que aos poucos tinha sumido, voltou. O descanso merecido: todo trabalhador tem direito de descansar, dizia consigo.
“Devido ao grande sucesso de nossa empresa teremos que trabalhar neste fim de semana. Lembrem-se: trabalhamos juntos crescemos juntos.”
Este era o cartaz colado ao lado do cartão de ponto.
Ele tinha medo de sentir-se com raiva pela situação, pois iria ganhar mais. Porém feliz não estava.
“... teremos que trabalhar (...) juntos...”.
Isso fez o paradoxo em seus sentimentos diminuir quando soube na segunda-feira que seus patrões passaram o fim de semana na Europa.
No quarto imaginava seu futuro, baseado em seus colegas de empresa mais antigos: os dias, as semanas, os meses, os anos passando. A vida; a mesma. De seus sonhos apenas uma moto, que o faria preso a esta situação por quarenta e oito prestações.
Olhando para o alto lembrava de uma aula sobre o cosmo; o espaço é um vácuo cheio de corpos celestes donde tem-se a provável origem de tudo. E o que é o vácuo? – pensou concentrando-se na parede branca sem nada e dormiu.


(Michael Bonadio)
Ajuda-me


Ajuda-me a não me ser.
Ajuda-me a não te ser.
Ajuda-me a não lhe ser.
Ajuda-me, Ajuda-me, Ajuda-me.
Ajuda-me a parar de ver.
Ajuda-me a querer ter.
Ajuda-me a poder fazer.
Ajuda-me, Ajuda-me, Ajuda-me.
Ajuda-me a não me desesperar
Quando na noite não puder falar,
Ajuda-me, Ajuda-me, Ajuda-me.
Ajuda-me a saber entender
O porquê de querer me socorrer.
Ajuda-me, Ajuda-me, Ajuda-me.

(Michael Bonadio)
A Fábula dos Monstros seus


Era uma vez uma vila – que de tão longe só nossa imaginação pode ver – nos quais seus moradores, apesar de honrados, trabalhadores, não enfrentavam seus monstros. Tinham medo e assim se fechavam.

O único lá que saía, era um jovem Cavaleiro de visões quixotescas; ele rompia portões e travava lutas sem iguais. Depois das batalhas os olhos dos outros moradores se enchiam de orgulho alheio; ele todo feliz voltava com a sensação de dever cumprido.

Um dia, porém, não saiu em nenhuma empreitada; foi olhando à sua volta e vira que tudo era igual, nada mudava depois das batalhas. As pessoas sorriam e continuavam suas vidas; ele por sua vez, perdera aos poucos aquela boa sensação. Desse dia em diante não saiu mais de casa.

As pessoas ficaram assustadas. Como enfrentar seus monstros? Tentaram de tudo para convencê-lo: deram-lhe armas novas, um cavalo mais rápido, uma armadura de ouro; nada fazia o nosso herói sair.

Quando menos se esperava o maior de todos os monstros apareceu; todos ficaram desesperados e se esconderam. O monstro, porém, queria apenas o jovem rapaz. Ele invadiu seu leito e o chamou à briga; deu-lhe alguns golpes, mas o jovem não reagia. Quando viu que nosso herói não se mexia começou destruir tudo que via à sua volta, para chamar a atenção dele e nada.

Os moradores da vila correram em apoio ao errante e espantaram o monstro.

Felizes, não viram quando como num passe de mágica sumira o nosso bravo, errante, heróico, destemido, Cavaleiro.

Moral da história: para enfrentar seus monstros às vezes não precisamos de nada.

(Michael Bonadio)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A antítese do ser



Não me reconheço.
Não sou o mesmo.
Antes era um,
Agora outro.
Quem sou?
Não sei.
Tudo mudou.
Um calmo, esperançoso,
Simples,
Mas, ignorante, egoísta,
Buscava o topo dos sonhos.
Não sei o que aconteceu.
Será que foram as Letras,
O excesso de tudo?
O mundo novo?
Talvez foi a sensação?
Não entendo.
Perguntas? Respostas?
Procuro e não acho.
Mas, agora o outro atual
Elegante, pensante
Amante e diferente.
Busca um porquê.
No sei do quê.
Para quê?
Sente o vazio
E o completo.
O que acontece?
Especialistas também não entendem.
A dupla personalidade:
Uma humana animal
A outra humana racional.
Assim, como o meu vazio completo
São meus versos
Podem dizer o tudo ou o nada.
Assim é minha poesia
Complexa,
Simples.
Quem entende?
Sei lá.

(Alex Moretto)

sábado, 29 de agosto de 2009

Cleri Aparecida Biotto Bucioli, residente em São Carlos, é mestra em Estudos Literários pela UNESP de Araraquara. Sua dissertação de mestrado - Entretecer e tramar uma teia poética: a poesia de Orides Fontela - foi publicada em 2003, pela Annablume: Fapesp. Em 2000, Cleri publicou o livro de poesias Sedas Rasgadas, pela Taba Cultural. Abaixo, transcrevemos alguns de seus poemas:
CAOS

Quando não quero enxergar o mundo,
tiro os óculos.

Caos.
Névoas, profusões de névoas turvam a visão...

A eterna tristeza está no recolocar os óculos:
mesmo querendo ver às claras,
as imagens distorcem,
são neblinas da visão...


À TOA

Pensando um verso bonito
não encontrei palavras.
Guardei o pensamento.
O pensar adormeceu.
As palavras adormeceram.
O verso ficou para depois.
E depois... é o indeterminado...


EMPÓRIO

As prateleiras vazias,
poeirentas, encardidas
têm resquícios de passado.
Não há arejar de sol nas tábuas
e as traças tracejam
traços no tempo.
As prateleiras (fantasmas)
apodrecem.
Os sonhos, o murmurar da vida
diluíram-se no pó.
Sobre as prateleiras inertes
minha sombra inútil varre
a sujeira das teias
trançadas no labirinto do tempo.
Poeira secular.
Nas prateleiras vazias
Minha alma dorme...


CRONOS

Dá-me um dia
para organizar
atos desatados.
Um dia só basta
para conversar
com o pensamento enlouquecido.
Um dia é o justo tempo
para falar de amor.
E nesse dia,
do nascer do sol
ao despertar das estrelas,
haverá um consenso de idéias
sábias e loucas, revelando-me.
Por um dia
é, foi, será
válido viver...


DESABAFO

A palavra rasga a alma.
Como lâmina cortante
Retalha o coração
E sangra.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Participei recentemente de uma sessão temática sobre poesia brasileira contemporânea, e tive a oportunidade de receber a obra "objeto algum", do poeta mineiro Rodrigo Guimarães, publicada em 2008. Aqui seguem alguns poemas:

sem título

e o que se vê
centraliza todo
o espaço,
persiste,
sem moldura
ou título,
cravado em seu
axioma de ferro,
seu habitat supremo,
desqualificando tudo
com exata indiferença,
como um
prego na parede


detalhe

acontece que
ao perder o chão
passou a
observar os
pés e talvez
de tal modo
acercar-se da
minúcia
excedente
que melhor
se reconhece
no que cumpre
desaparecer


pormenor

se diante do desacerto
decidiu-se pelo óbvio,
talvez não tenha visto
o que à primeira vista
não se vê

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ESTRANHO AMOR

Um estranho amor,
assim como chegou se foi,
levou meus segredos tão discretos,
meu olhar de plenitude, meus sonhos,
meus mistérios que só com ele dividia.
Nada disso significou tédio ou fim do tesão,
de um sobressalto se começa a amar de novo
de outro jeito, com outro sentir.
Viver bem os amores que cruzam nossas vidas
é um ato de heroísmo.
Amar é como depois de uma caminhada árdua
ser docemente surpreendido pela descoberta do outro,
e ter o amor como medida, sempre!

mmadalena